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História do canal

O jardim de quem está começando de novo

Recém desempregado, ele estava segurando o gasto. O jardim foi pra última posição da lista. Bati na porta e ofereci o serviço sem cobrar.

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Perder o emprego é uma daquelas coisas que mexe com tudo ao mesmo tempo. Com o orçamento, com a rotina, com a cabeça. Quem passa por isso sabe que tem uma lista de prioridades que muda da noite para o dia, e a grama do jardim vai para o final dessa lista.

Foi o que aconteceu com o morador desta história. Recém desempregado, ele estava "segurando o gasto", como ele mesmo disse, e contratar um jardineiro não estava em cogitação. O jardim foi crescendo. A lateral da casa foi ficando fechada de mato.

Eu passava pela rua quando vi a situação. Bati na porta. Quando ouvi que ele estava desempregado, não hesitei — ofereci o serviço de graça na mesma hora. Ele ficou sem saber o que dizer. Demorou um pouco para acreditar.

O trabalho foi cuidadoso. Usei a roçadeira nas costas para cortar a grama que cresceu ao longo do jardim e da lateral, defini as bordas da calçada com precisão, soprei tudo até o chão ficar limpo. Era uma casa comum, de uma pessoa comum, numa situação que qualquer um de nós poderia estar.

Quando tudo ficou pronto, busquei o morador para ver o resultado. Ele ficou "muito feliz", como eu contei depois. Mas o que ficou mais marcado não foi a reação dele — foi o que eu disse olhando para a câmera ao final.

"Com fé e esperança ele vai conseguir se recolocar o mais rápido possível."

O jardim limpo não vai resolver a busca por emprego. Eu sei disso. Mas acredito que começar uma manhã olhando para um espaço cuidado, onde antes havia abandono, pode fazer alguma diferença no que a pessoa sente. E que pequenos gestos às vezes são o começo de uma transformação maior.