O susto que virou obrigado
Avisei no início do vídeo que um vizinho ia me dar um susto. Era verdade. Só que o susto foi de um jeito que ninguém esperava.
Eu disse no início do vídeo que um vizinho ia me dar um susto. Era verdade, só que o susto foi de um jeito que ninguém esperava.
O jardim em frente à casa estava abandonado há mais tempo do que alguém conseguia se lembrar. O mato tinha crescido alto demais e a vizinhança estava incomodada. Eu conversei com o morador, ofereci a limpeza de graça e comecei o trabalho.
Horas se passaram. A roçadeira foi derrubando o mato. O ancinho foi juntando tudo. O soprador foi dando o acabamento. A rua foi tomando uma forma diferente, mais limpa, mais respirável.
Foi quando um carro parou do lado.
O motorista desceu. Era um vizinho que ia passando. Ele olhou para a calçada, para mim ainda com o equipamento nas mãos, e disse: "Tá limpinho agora para vocês aí. A vizinhança vai ficar bem melhor."
Depois agradeceu. Pelo nome, com carinho. "Obrigado, viu querido. Até mais, tchau tchau."
E foi embora.
Fiquei ali, com o soprador ainda nas costas, sorrindo para a câmera. Esse era o susto que eu tinha anunciado. Não um susto de medo. Um susto de gentileza inesperada no meio de uma tarde de trabalho.
Tem dias em que o que mantém a gente em pé não é o resultado final, mas os pequenos momentos que acontecem no caminho. O carro que para. O vizinho que desce. O obrigado que não precisava ter sido dito, mas foi.
O jardim ficou limpo. A rua ficou mais bonita. E eu segui para a próxima rua.