O vizinho que já conhecia o André
Havia uma calçada notificada pela prefeitura. No meio do trabalho, um homem se aproximou: "Ficou ótimo lá, hein!" Eu já tinha ajudado ele antes.
Havia uma lateral de casa que a prefeitura tinha notificado. O mato cresceu alto o suficiente para virar problema oficial, mas nem a prefeitura nem o morador conseguiam resolver a situação. Era uma daquelas situações em que todo mundo sabe do problema e ninguém faz nada.
Eu estava passando pela rua quando avistei o mato. Conversei com quem morava ali, entendi a situação e me comprometi a fazer a limpeza de graça.
O trabalho envolvia duas seções de calçada, em frente a casas diferentes. Fui de uma até a outra, cortando, varrendo, soprando, ensacando.
No meio do trabalho, um homem se aproximou. Olhou para mim, olhou para o trabalho e disse: "Ficou ótimo lá, hein!"
Era um vizinho que eu já tinha ajudado antes. Ele me reconheceu e parou para agradecer de novo, como se a gentileza anterior ainda estivesse em circulação. Ele explicou para a mulher que estava do lado quem eu era: "Ele faz um trabalho voluntário de limpar. Totalmente de graça. Limpa a calçada do vizinho."
Mais tarde, quando a segunda seção ficou pronta, uma moradora saiu de casa para ver. Ficou surpresa ao descobrir que o espaço na frente da própria casa tinha sido limpo. Eu apontei para os insetos que tinham saído do mato com a limpeza, e nós dois rimos juntos.
No final, um pássaro pousou na calçada recém-limpa. Eu olhei para a câmera e disse: "Olha quem mais fica feliz depois que a gente faz..."
O pássaro ficou ali um momento, bisbilhotando o chão limpo. Depois voou.
Às vezes a melhor forma de saber que um trabalho foi bem feito não é o antes e o depois. É o pássaro que resolve pousar.